Uma casa (quase) portuguesa

Em maio de 1976, Amália Rodrigues visitou Bucareste. Foi um concerto histórico de uma estrela internacional na Roménia. Se Portugal já tinha dado o grito da revolta e entrava num período de acalmia política, a Roménia continuava embebida num regime comunista cinzento e opressivo.

(o video só está disponível diretamente no YouTube)

Como acontecia, e ainda acontece muitas vezes, mesmo sem perceber uma só palavra da letra de um Fado, quem escuta deixa-se embalar por uma cantiga que nem nós próprios sabemos a sua origem. E Amália Rodrigues conseguia elevar aos píncaros essa melodia tão triste e cheia de sentimentos profundos. Mas, esta mesma Amália também encantava as salas de espetáculos com uma simples ‘Casa da Mariquinha’ ou uma ‘Maria Lisboa’, onde o toque das guitarras portuguesas fazia bater o pé ao ritmo dos acordes.

Mas hoje a Roménia é outra e o nome Amália já não é a referência mais óbvia entre os mais jovens. De qualquer forma, é sempre com orgulho que vemos as nossas referências nacionais cá fora.

E esta semana foi cheia destas pequenas referências que nos refrescam por dentro. Num restaurante perto aqui de casa – o Costelaria -, mesmo à saída do Parque Carol I e a poucos minutos a pé do Parlamento, está pendurado numa parede vermelha um pequeno quadro com a Amália Rodrigues. Uma referência a Portugal isolada numa parede sem qualquer ligação óbvia ao nosso país. O Costelaria serve apenas grelhados e passa muita música italiana e espanhola. De qualquer forma, é um pedacinho nacional a 4000 kms de distância.

Amália Rodrigues

Melhor foi o que aconteceu na mesma noite, antes de entrar no restaurante. Ainda na rua, num dos passeios da Strada 11 Iuniei, depois de desligar o telefone ouço um senhor perguntar: ‘É português?’. Olhei surpreendido. ‘Sim, sou!’. Era um romeno que tinha vivido sete anos em Portugal. ‘Vocês são um povo muito bom’, disse, cumprimentou-me e voltou para dentro da sua casa. Uma coincidência interessante: e/imigrantes que se cruzam e descruzam entre um quadro da Amália e, pasmem-se, alguém que vestia um casaco do ‘Sporting Clube de Portugal’ e passava metros ao lado!

E esta hein?

Estação de metro mais próxima: Tineretului (Linha M2 – Azul), 1300 metros

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3 opiniões sobre “Uma casa (quase) portuguesa

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