A voz da Democracia

Depois de anos sob um regime castrador, os romenos começam, pouco a pouco, a acordar e a utilizar uma das maiores armas da democracia moderna: a liberdade de expressão.

Manifestação em Timişoara. Foto Facebook Christoph Bucher Photography

Ordeiramente, mas de forma vincada, muitos cidadãos reuniram-se  hoje nas principais cidades romenas para manifestarem o desagrado pelo resultado das eleições da semana passada. Este exercício de cidadania, raro no país e que rapidamente me levou a relembrar as imagens da queda do regime de Ceaușescu, em 1989, é um sinal de que a sociedade civil não é um ser amorfo e que, cada vez mais, se desperta para os valores de uma verdadeira democracia.

É certo que o alvo central é o atual primeiro-ministro e candidato a presidente da República – Victor Ponta -, mas a revolta estende-se também à forma como decorreu o ato eleitoral junto da diáspora romena. Milhares de cidadãos foram impedidos de votar nas principais embaixadas e consulados romenos espalhados pela Europa ‘devido à má organização do Ministério dos Negócios Estrangeiros‘, lê-se no site Adevarul.

A elevada afluência de romenos no exterior às embaixadas foi surpreendente. Motivo, até, de abertura de telejornal em todos os canais. Nunca antes os emigrantes se fizeram ouvir de uma forma tão percetível. A falta de preparação das representações no estrangeiro foi mais do que evidente. Como principal consequência política o atual presidente da Roménia, Traian Băsescu, demitiu o ministro dos negócios estrangeiros. O ministério já reagiu, informando em comunicado que os seus funcionários seguiram todos os requisitos legais e que a indisponibilidade física das representações romenas no exterior não permitiram fazer face ao número elevado de votantes.

No domingo passado, no rescaldo da primeira volta do escrutínio ao lugar mais elevado do sistema político romeno, Ponta (do Partido Social Democrata – esquerda aqui na Roménia) foi o vencedor com 39,6%. Em segundo lugar, com 30,2% dos votos, ficou Klaus Iohannis, presidente da câmara municipal de Sibiu, representado o Partido Liberal. Os dois vão disputar no próximo dia 16 de novembro a segunda volta na corrida ao palácio de Cotroceni.

Parece estranho um primeiro-ministro no poder concorrer ao cargo de presidente da república. Mas mais estranho que isto, e aqui no bom sentido, é a reação da população à situação atual. Apesar das políticas populistas – nacionalistas até segundo alguns analistas políticos – que o governo de Ponta tem aplicado (não esquecendo os muitos milhões que Bruxelas envia para o país), a Roménia continua a enfrentar problemas com as suas infraestruturas, serviços médicos, educação e, muito especialmente, com a corrupção.

Na rua e nas redes sociais corre o apelo ao voto. Ao voto pela Roménia, pela democracia e por um futuro melhor para todos os romenos.

ROMÂNIA VOTEZ! 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s