Há fósseis no metro

O Metro de Bucareste não prima pela beleza excêntrica das suas estações. Ao contrário de outras redes, como Moscovo, São Petersburgo, Lisboa ou Estocolmo, não existem palácios subterrâneos, repletos de mármores brilhantes ou estátuas vistosas, nem grandiosas obras de arquitetura que mereçam uma visita especial.

É antes, na sua grande maioria, uma rede com estações de decoração austera e simples. São quatro linhas relativamente recentes (a primeira, a amarela, foi inaugurada apenas em 1979), que servem os principais eixos da capital romena através das suas 51 estações.

Mas, neste mundo subterrâneo, que tantas histórias e mitos parece criar, há uma estação que se destaca. Não será certamente pelo seu tamanho, nem por ser um interface entre linhas, muito menos por se localizar junto a algum monumento ou edifício importante. Será, provavelmente, a única estação do mundo que, por mero acaso, exibe um tesouro pré-histórico.

Há fósseis no metro

No lado ocidental de Bucareste, na linha vermelha, a estação Politehnica. Apesar da sua simplicidade, esta é, para mim, uma das paragens mais bonitas de toda a rede.
O ambiente é luminoso e todo o tecto da estação é sustentado por duas fiadas de pesadas e gordas colunas. Ao meio, a plataforma central é pisada por milhares de pessoas diariamente.
Contudo, poucos são os que sabem que sob os seus pés encontra-se uma maravilha da natureza. O chão, em tons brancos e avermelhados, tem gravado em si centenas de pequenos fósseis datados do período Cretáceo Superior. Deixamos a casa das dezenas e falamos em milhões de anos de idade: 65 a 100.
Uma escala temporal de proporções gigantescas que contrasta com o tamanho reduzido das manchas brancas dos pequenos bivalves pré-históricos.

A pedra utilizada é proveniente dos montes Apuseni, próximos da cidade de Cluj, no Oesta da Roménia. Uma região que, segundo os registos encontrados, estaria submersa. Daí a existência dos animais marinhos na mármore que compõe o pavimento da estação.
Apesar de inaugurada em 1983, ainda sob o regime de Ceauşescu, esta descoberta surpreendente só teve lugar mais recentemente.

O ‘museu’ pré-histórico está aberto todos os dias da semana, das cinco da manhã às onze da noite, e fica a apenas três estações do centro da cidade.

Vai uma viagem ao passado?

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