Mărțișor: a festa da Primavera

Numa semana em que muito se discutiu a cor de um certo vestido, aqui, na Roménia, não há qualquer dúvida dos tons dominantes para os próximos dias: vermelho e branco. Não que o Benfica tenha muitos adeptos por estas bandas, antes por uma tradição antiquíssima que todos os anos se celebra: o Mărțișor, a festa da chegada da Primavera.

Andar pelas ruas de Bucareste nestes dias e não reparar na quantidade de pequenas bancas a vender fitas e pulseiras bicolores, é o mesmo que percorrer a Baixa do Porto, nas vésperas do São João, e não reparar na quantidade de vendedores de manjericos! Estão por todo o lado… nas entradas para o metro, junto das paragens dos autocarros e eléctricos e, claro, numa versão mais fashion, nos muitos espaços comerciais da capital.

A chegada da Primavera é aqui celebrada de uma forma especial. Aqui e noutros territórios onde os romenos são população dominante. O nome Mărțișor é o diminutivo de marț, nome popular para o mês de Março. Traduzido para português ficaria algo como ‘Pequeno Março’.

A história desta celebração não é clara, mas a maioria dos historiadores conta que nasceu de um misto de tradições com influências de Roma e da Trácia.  Na Antiga Dácia, quando esta era uma provínia do Império Romano, o Ano Novo era celebrado a 1 de Março, e Março era o mês que homenageava Marte, o Deus da Guerra. Mas Marte era também um guardião da agricultura. De forma idêntica, os Trácios, povo que habiatava a Trácia (genericamente o actual território europeu turco), assim como as regiões circundantes (onde se inclui a Roménia moderna), celebravam o primeiro de Março como o início do novo ano, a chegada de uma nova estação e, com ela, o renascimento e a fertilidade dos solos agrícolas.

O jogo de cores das pulseiras tem uma história mais intrincada e cheia de simbolismos. Os tons foram evoluindo ao sabor das vontades populares até que se fixaram no vermelho e branco. A primeira cor está relacionada com a guerra, a força, o sol, o calor, a luz. A segunda liga-se à pureza, ao renascimento, à paz e à vida. Uma combinação de velhas tradicões romanas, trácias e da Dácia que sobreviveram até aos dias de hoje e associam antigas celebrações com a chegada da Primavera.

Na actualidade, mais do que celebrar um novo ano ou a chegada de uma nova estação, as pequenas tranças bicolores são um sinal de afecto, amor e amizade. As pulseiras podem ter um pendente ou um talismã como sinal de sorte. E se hoje, nas grandes cidades, o seu fabrico baseia-se em materiais sintéticos, ainda é comum, em zonas mais rurais, encontra-las feitas a partir de lã.

Bem-vinda Primavera! 🙂

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2 opiniões sobre “Mărțișor: a festa da Primavera

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