Um dia a casa cai

A casa ainda não caiu, mas ontem a terra tremeu.

Strongest earthquake this year in Romania shakes capital Bucharest

An earthquake with the magnitude of 4.7 degrees on the Richter scale shook part of Romania, including the capital Bucharest, on Monday, March 16. This was the strongest earthquake felt in Romania this year.

The epicenter was at the intersection of the Buzau, Vrancea, and Covasna counties, in the Vrancea seismic area. This was a deep earthquake, at 140 kilometers below the surface, and the movement was short. in Romania Insider

Bucareste é uma cidade onde a cor vermelha não é sinónimo exclusivo de stop para os carros. Espalhados pelo centro da cidade, vários edifícios carregam um círculo vermelho. Se olharmos com atenção percebemos que avisam, a quem passa e a quem mora lá dentro, do perigo que está à espreita: o edifício está em risco de derrocada em caso de sismo. Não é, pois claro, o sinal mais bonito de se ver quando, em muitas das vezes, ‘decora’ edifícios com importante valor histórico e arquitectónico.

Dados relativos a Março de 2014 apontam para que cerca de 370 edifícios continuam em risco iminente de queda. Mas porquê? A capital romena localiza-se numa zona de risco sísmico considerável. Se adicionarmos o facto de que durante muitos anos não ter existido uma verdadeira política de requalificação do edificado mais antigo, assim como os pequenos, médios e grandes sismos que a cidade sofreu, obtemos o cocktail perfeito para o estado perigoso dos edifícios na actualidade. A famosa ‘Micul Paris’ (a Pequena Paris), com os seus edifícios ultra ornamentados dos finais do século XIX e princípios da centura passada, sofre com esta doença para a qual a cura está próxima, mas teima em não chegar a todos. Vê-se no centro um movimento de reconstrução do casario histórico. Há novos clubes, bares, lojas e outros comércios que aos poucos vão ocupando estes edifícios, renovando-os, requalificando-os e dando uma vida mais intensa ao centro velho de Bucareste. De qualquer forma, este processo de requalificação que teve início nos anos 90 e que permite taxas de juro de 0% para empréstimos a proprietários que avancem com as obras necessárias, parece ser pouco popular entre os senhorios de Bucareste.

“It is cheap and everywhere in the city centre is so expensive, but after one of last year’s bigger earthquakes I got scared,” the 34-year-old Romanian artist says. “I’m not sure if I am being paranoid, but it is just not worth the risk.” in The Guardian

Viver no centro de Bucareste é caro. Qualquer apartamento, mesmo que pequeno, é alugado a peso de ouro. Muitos destes edifícios, autênticas jóias arquitectónicas decoradas com sinais vermelhos, oferecem rendas a preços muito baixos em troca de um risco de derrocada num sismo de 7 graus na escala de Richter. Para alguns, viver nestas condições é a única forma de ter uma casa na cidade; para outros é uma tentação e uma aventura habitar um edifício da época dourada de Bucareste. É verdade que ninguém pode adivinhar quando o próximo grande sismo terá lugar, mas o perigo não anda longe. O último, o de 1977, teve um efeito devastador no centro da cidade: vários edifícios históricos foram totalmente destruídos, 1578 mortos, 11,221 feridos e mais de 34 mil famílias desalojadas. A cidade sofreu com cortes de electricidade generalizados e muitos dos hospitais tiveram de ser evacuados e, por conseguinte, estiveram inoperacionais quando mais eram precisos. Desde então as políticas de construção pouco têm mudado e muitos dos edifícios continuam expostos a este perigo subterrâneo.

Perigoso ou não, à espera de mais um pequeno abanico, o centro da cidade retém o olhar do visitante. E não é preciso ser expert em arquitectura ou sismologia para perceber o risco a que todos os que habitam Bucareste estão expostos. Basta olhar e ver com atenção o avançado da degradação de alguns prédios e compara-los com a beleza e esplendor de alguns edifícios recentemente requalificados. Uma diferença abismal que, para o bem e para o mal, torna Bucareste uma cidade tão interessante!

Anúncios

2 opiniões sobre “Um dia a casa cai

  1. Com ou sem sismo, é sempre perigoso deslocarmo-nos em BUC, sazonalmente aquando dos “turturi”…
    PT também aguarda o grande sismo há quase 300 anos e não é menos vulnerável.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s