A longa espera da Roménia com um novo drama humano entre mãos

Agora que os focos estão novamente voltados  para o Mediterrâneo, também no Mar Negro, a fronteira oriental da União Europeia, a crise humanitária dos refugiados da Síria faz-se sentir. Não com a mesma intensidade nem dramatismo das águas do Sul, mas é certo que a costa romena funciona como primeira paragem, em solo europeu, para os muitos que tentam fugir, via Turquia, da crise síria.

“Pequenos barcos sobrelotados de clandestinos em fuga da guerra e de ditaduras estão a lançar-se à sorte do Mar Negro com o sonho de uma vida normal no ocidente da Europa”, conta a Euronews.

A Roménia não faz parte do Espaço Schengen, mas como país com fronteiras externas da União Europeia, a sua responsabilidade na vigilância da Europa é maior. As autoridades de Bucareste tentam há vários anos, sem sucesso, entrar no círculo de países que aboliu na sua quase totalidade os entraves à circulação sem controlo de identidade. Contudo, os esforços não foram ainda suficientes. Apesar de estarem a ser introduzidas tecnologias de ponta no controlo e vigilância das fronteiras, alguns parceiros europeus, como a França, a Alemanha ou a Holanda, continuam a desconfiar do trabalho desenvolvido pelas polícias romenas. A corrupção – seja ela a nível político, seja a nível local, junto dos polícias – continua a ser uma das grandes pedras no sapato do país perante os olhos europeus.

Questões políticas à parte, o lado humanitário da crise é suficientemente alarmante para preocupar os líderes europeus. Desgastados por uma guerra interminável, e da qual poucos conseguem compreender as suas razões, os refugiados acabam por pagar pequenas fortunas para serem salvos. As esperanças rapidamente se devaneiam após horas de viagem em condições miseráveis. Mas, por de uma ‘vida normal’ no Velho Continente, muitos são aqueles que abdicam de tudo para iniciarem uma viagem para o qual o destino nem sempre é o escolhido.

“Os traficantes turcos enviaram-me fotografias para o telemóvel para que visse como seria o barco: era uma embarcação de cinco estrelas. Garantiram-me que a travessia do Mar Negro levaria apenas 10 horas. Afinal, não havia nenhum iate, era um barco velho. Também não havia comida e, em vez de 10 horas, demorámos 48”, in Euronews.

Na reportagem da Euronews, conhecemos o drama contado na primeira pessoa de Ali Kawa, o sírio que atravessou o Mar Negro, juntamente com a sua família, em busca de paz. Ainda no vídeo, os esforços diários das autoridades romenas na prevenção do tráfego ilegal de pessoas e a frustração das mesmas perante o ‘não’ comunitário à adesão da Roménia ao Espaço Schengen.

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