Lá em baixo, ficção científica

A surpresa! Esqueçam Bucareste, Sibiu ou Cluj. Entramos no futuro, cenário de X-Files ou onde o ‘Alien’ de Ridley Scott poderia ter sido gravado. Sob um solo docemente ondulado, no interior da Transilvânia, uma mina de sal e a 120 metros de profundidade uma roda gigante, um jogo de luzes, ferro e madeira e um lago com construções alienígenas que nos transportam aos cenários dos melhores filmes de ficção científica. É, sem qualquer sombra de dúvida, o local mais fantástico que já visitei na Roménia!

Ninguém diria o que se passa sob os nossos pés. À superfície são prados verdejantes, calmos e onde apenas o barulho do vento ziguezagueia as poucas árvores que nos rodeiam. Mas, lá em baixo, criou-se ao longo de centenas de anos uma obra de dimensões gigantescas. Estamos em Turda, uma cidade localizada a poucos quilómetros de Cluj, e aqui explora-se sal desde, pelo menos, o ano de 1271. Muitos anos de intensas escavações que criaram cavernas, túneis e lagos subterrâneos que deixam qualquer um boquiaberto.

Iniciamos a descida através de umas longas escadas. Sente-se o cheiro a sal por todo o lado. Depois um longo corredor. Visitamos pequenas salas, todas elas cobertas de sal, onde conhecemos as técnicas de extracção utilizadas ao longo de séculos. Mas o melhor ainda está para vir: através de um pequeno buraco vislumbramos um cenário de filme passado em 2050. A vontade de descer as escadas aguça-se. Corremos e ficamos sem palavras.

Olhamos para baixo: uma cascata de luzes quem caiem como lágrimas a escorrer pela cara. O tecto mimetiza a mais elegante das mármores. Lá em baixo, madeira e ferro criam formas de outro mundo. Há uma roda gigante a 120 metros de profundidade e outras diversões para pequenos e graúdos.

O pequeno elevador panorâmico percorre os mais de dez andares de forma lenta. Deixa-nos apreciar a magnitude desta obra que junta o Homem e a Natureza numa combinação salgadamente extraordinária.

O chão parece areia, mas é apenas o resultado de milhões de pequenas pedras de sal a serem pisadas por milhares de solas diariamente. E depois de muitos minutos com a cabeça virada para cima, tirando as medidas ao gigantismo da abóbada de sal, descobrimos que, afinal, bem perto de nós há uma varanda. Olhamos e vemos um lago e, no meio, a casa – dirão alguns – dos seres extra-terrestres que habitam estas minas.

Foram mais de duas horas debaixo de terra. Passaram a correr, mas a cada passo recordo o espanto e a admiração por ver algo tão belo que dificilmente consigo expressar em palavras.

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