Quando do céu choveram bombas

Como ‘cidade aberta’, Bucareste não ofereceu resistência aos invasores aéreos. Estávamos na recta final da guerra e os habitantes da capital romena viveram semanas de pânico. Olhavam para o céu e rezavam para que um milagre acontecesse. Na data em que se celebram os 70 anos do fim da Segunda Grande Guerra na Europa, recordamos os longos dias em que Bucareste foi bombardeada pelas forças Aliadas e do Eixo.

É uma situação que, muito provavelmente, nenhum dos leitores terá vivido: sobreviver a um bombardeamento aéreo. Bucareste, assim como outras cidades romenas, sofreram duplamente os castigos da guerra. Dependendo da tendência política que governava o país, bombardeiros dos Aliados (norte-americanos e ingleses) e do Eixo (alemães nazis) lançaram milhares de projécteis sobre refinarias, linhas de caminho-de-ferro, estradas e quartéis militares. Recorrendo à gíria actual de Washington, os danos colaterais foram o número elevado de habitações, monumentos e palácios destruídos, assim como o número de mortos contabilizados.

Vamos (resumidamente) à História:

Com o início do conflito, e numa tentativa de salvaguardar os interesses nacionais, Carol II, Rei da Roménia, declara a neutralidade do país. Mas cedo a status quo do reino viria a mudar.

O Verão de 1940 ficou marcado por uma nova divisão territorial desfavorável a Bucareste. O mapa da Grande Roménia tinha sido novamente rasgado: as regiões da Bukovina, Bessarábia, Dobruja e parte da Transilvânia (conquistadas após o fim da Primeira Guerra Mundial) foram cedidas à Ucrânia, Rússia, Bulgária e Hungria, respectivamente.  O crescimento exponencial do sucesso nazi, assim como o evoluir da situação interna, levaram as forças políticas de extrema direita a tomar posições cada vez mais duras contra o governo. O sentimento de desprotecção com que Paris e Londres deixaram o país, a par da ameaça de invasão soviética, contribuiram definitivamente para Ion Victor Antonescu, militar e homem de fortes convicções políticas, instaurar um regime de ditadura militar. O novo primeiro-ministro, popularmente designado de Mareșal Antonescu, cedo reverteu a posição da Roménia e, a 23 de Novembro de 1940, ‘assina’ com Berlim a adesão às Forças do Eixo. O empenho do Exército foi ‘Sol de pouca dura’ pois o pacto secreto Molotov-Ribbentrop (que viria a reger a divisão da Europa entre Alemanha e União Soviética), assinado mesmo antes do apoio romeno às Forças do Eixo, já previa a divisão da Roménia entre as esferas de influência alemã e soviética, assim como a cedência de toda a Bessarábia a Moscovo.

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A participação do Exército romeno em várias operações ao lado das forças nazis foi importante, mas pouco contribuiu para manter o país a salvo. A partir de 1943 as Forças Aliadas iniciaram uma série de violentos bombardeamentos a posições nevrálgicas em várias cidades romenas, incluindo Bucareste. Exausto das sucessivas derrotas, dos ataques aéreos e dos avanços das forças soviéticas junto à fronteira oriental do país, o Rei Miguel I (sucessor de Carol II) liderou um golpe de Estado que depôs o Mareșal Antonescu e voltou a colocar Bucareste ao lado dos Aliados. Desta vez, são os Nazis que bombardeiam a cidade. A jogada de Miguel I, saudada quer pelos países Ocidentais, quer pela União Soviética, não foi contudo suficiente para devolver aos romenos o sonho da Grande Roménia. Mesmo vencendo a guerra, os Aliados não reconheceram as pretensões de Bucareste sob a maioria dos territórios cedidos aos Estados vizinhos em 1940. Este foi o último rei do país. Em 1947, sob pressão de Moscovo, Miguel I abdica do troco dando lugar à instauração do regime comunista na Roménia, regime este que viria a durar até à morte de Nicolae Ceaușescu, no Natal de 1989.

Contextualização histórica efectuada, partilho agora algumas imagens de quando do céu choveram bombas.

Há registos de seis bombardeamentos por parte dos Aliados e um pelas Forças do Eixo, já nos meses finais que antecederam a capitulação alemã.

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