Cluj, a capital da Transilvânia

Conduzimos para Norte. Atravessamos os Cárpatos por sinuosas estradas. Lá longe, nos confins da Roménia, Cluj Napoca. Visitamos a Capital Europeia da Juventude que é, também, a segunda maior cidade país e, informalmente, tratada como a capital da Transilvânia.

No meu imaginário Cluj era uma cidade cheia de estudantes, com uma vida noturna repleta de animação e um centro histórico polvilhado de pequenos cafés e esplanadas. Contudo, à primeira vista a desilusão foi total. A data não foi, provavelmente, a mais indicada para visitar Cluj, mas já que andávamos por aquelas bandas, não podíamos deixar de a visitar. Era Domingo de Páscoa e quando chegámos a cidade estava deserta. Zero! Não havia carros nem pessoas nas ruas. Um dia cheio de Sol e com o céu azul. Um quente dia de Primavera que convidava todos para um passeio ao ar livre. Mas, pelo contrário, a cidade padecia de um ensurdecedor silêncio.

O relógio batia as 15h00 e o estômago dava já sinais de fraqueza. O almoço (que almoço!) foi no KFC. Não é propriamente o local de eleição para um dia de Páscoa, mas era o único restaurante aberto pelas redondezas. “É isto a segunda maior cidade do país?!“, pensei eu ao final da primeira hora de visita. Mas cedo viria a mudar o discurso. Acabado o repasto domingueiro, voltámos à rua e, finalmente, encontrámos vida! No centro da cidade, na praça à volta da catedral, centenas de pessoas aproveitavam os raios de Sol e, não muito longe, as esplanadas dos cafés começavam a ficar bem compostas. Afinal de contas, esta é uma das mais importantes cidades da Roménia, não sendo de esperar uma localidade-fantasma.

Cluj Napoca, o nome oficial, é habitada por pouco mais do que 300 mil habitantes. Contrasta com Bucareste, a grande urbe do país, em tudo: não há edifícios gigantes, nem largas avenidas; o trânsito rola mais civilizadamente e a simpatia das pessoas é, por regra, bem maior.

A cidade conheceu o seu primeiro grande momento de crescimento durante a governação romana. O fado da cidade foi escrito posteriormente por otomanos, húngaros e alemães. Cluj passa a ocupar um lugar destacado na Transilvânia, região esta que nunca viria a ser um território soberano. Dependente de Budapeste, Viena e Bucareste, Cluj foi trocada sucessivamente entre três reinos (o húngaro, o austro-húngaro e o romeno), tendo sido integrada na Roménia apenas após a Primeira Grande Guerra. Mas seria Sol de pouca dura. A Segunda Guerra Mundial traria os horrores de exércitos invasores e o destino da cidade voltou a estar em aberto. Após 1945, a Transilvânia e, por conseguinte, Cluj, viriam a ser integrados definitivamente na Roménia e, para reforçar a marca da presença romena, o governo comunista mudou o nome da cidade, acrescentando a “Cluj” o nome “Napoca” (num claro sinal do seu passado romano).

Hoje a cidade não esconde a sua influência húngara, mas mostra-se ao visitante como romena. Aliás, a partir da década de 60 do século passado, a população de origem romena superou pela primeira vez a antiga maioria húngara. Cluj é um importante centro universitário (a maior universidade do país localiza-se aqui) e industrial. A cidade, que é geminada com São Paulo, no Brasil, localiza-se a pouco mais de 450 quilómetros de Bucareste.

Para quem quer conhecer a verdadeira Roménia,  Cluj é uma daquelas cidades obrigatórias no “to do list” do visitante.

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