10 de Junho: Portugal aqui

Esta é a segunda vez que celebro o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades fora do país. Se na primeira vez as referências ao nosso país eram muitas, hoje o cenário é diferente. Do Sul de África para o Leste da Europa, que Portugal temos aqui?

Chegamos a 10 de Junho e celebramos o Dia de Portugal. O nosso sentimento patriótico não nos dá azo a grandes celebrações. Bandeiras na rua são poucas e, ao contrário de muitos outros países, esta celebração é muitas vezes meramente protocolar. Uma pena, digo! E como não temos dia de independência (no 1 de Dezembro celebramos o fim de uma união pessoal, ou seja, um rei para dois reinos independentes, Portugal e Espanha), porque não celebrar realmente a fundação do país a 24 de Junho, data da batalha de São Mamede? Promessas eleitorais à parte, o que se sente em celebrar o dia de Portugal no estrangeiro?

Bandeira de Portugal

Estar fora do país aguça-me o orgulho em ser português. É verdade que não somos o país perfeito, nem temos a sociedade perfeita, mas estando cá fora olhamos com outros olhos para Portugal. É um misto de fado e saudade, de alegria e tristeza, de orgulho e de vontade de mudar para melhor o que de mau temos e aperfeiçoar o que de bom há. Quando vemos a nossa bandeira, por mais pequenina que seja, sorrimos. E quando ouvimos o Fado, mesmo para quem não gosta, os acordes da guitarra portuguesa fazem-nos arrepiar e lembrar esse cantinho à beira mar plantado.

Escrevia eu após um concerto de Mariza em Bucareste:

“Duas horas de Portugalidade e Lusofonia. Recordamos a lusitana paixão de termos nascido no mais belo pedaço de terra do planeta. Aos acordes da guitarra portuguesa o arrepio de ser português. Com a voz de Mariza a lembrança que o Fado não é nosso, é do mundo e isso torna-nos gigantes!”

Mas, estando a 3000 quilómetros de distância, as referências ao nosso país não são muitas. E é por isso que a mais pequena delas se torna gigante. Sem recorrer a dados estatísticos (nem sei mesmo se os há), o que vemos nós aqui de Portugal?

A Roménia, localizada no Sudeste da Europa, rodeada pela Ucrânia, Moldova, Hungria, Sérvia e Bulgária, partilha com Portugal alguns aspectos históricos. Foi, à imagem da Lusitânia, uma província do Império Romano; o romeno é uma língua latina (tal como o português, o espanhol, o francês ou o italiano), sendo por isso minimamente intelegível sem grandes esforços; pertencemos à mesma união militar (a OTAN), económica (a UE) e cultural (a União Latina). Em anos recentes, o nosso país foi local de acolhimento para parte da diáspora romena. Por seu turno, a comunidade lusa na velha Dácia é muito menor e concentra-se nas grandes cidades.

E no dia-a-dia, empiricamente falando, o que encontramos cá que é daí? Vinho: a variedade não é muita, mas sempre se bebe um Mateus Rosé, vários Vinhos do Porto, algumas marcas do Alentejo e da região dos Vinhos Verdes. Sapatos: basta procurar pelos modelos mais caros e verificar que são ‘Made in Portugal’. Jogadores de futebol: já foram mais, mas o nosso país continua a ser uma boa bolsa de ofertas para as principais equipas romenas. TAP: apesar da turbulência que a companhia atravessa agora, as principais estações de metro de Bucareste exibem outdoors com promoções para Lisboa, Porto e outros destinos da rede em África e nas Américas. Lena: a famosa construtora de Leiria destaca-se logo à entrada da cidade, para quem vem do aeroporto, na construção de diversos viadutos. Aliás, durante vários anos empresas de construção portuguesas estiveram, e continuam, no desenvolvimento da infra-estrutura rodoviária do país. Fado: a canção Património da Humanidade é conhecida na Roménia e, com regularidade, nomes como Mariza e Ana Moura dão concertos em Bucareste. Compotas gourmet: estão à venda no Carrefour e, a avaliar pelo preço, devem conter partículas de ouro lá dentro. Sciroccos e Sharans: Volkswagen directamente de Palmela para a Roménia. EFACEC e SONAE Sierra: os escritórios das delegações romenas. Millennium: até há bem pouco tempo uma sucursal do BCP, hoje em mãos do húngaro OTP Bank. O meu desktop: no trabalho, os wallpapers do computador são exclusivamente sobre Portugal. Os meus colegas perguntam-me ‘Onde é isso?’ e depois ficam espantados com a beleza do país! Portugueses: no final de contas, somos nós, todos os portugueses a viver na Roménia, os maiores representantes do nosso país. É em nós que a primeira impressão do país recai muitas vezes. Ficarão para sempre gravadas na minha memória as palavras que o Secretário de Estado das Comunidades proferiu, antes da minha partida para Moçambique, ao grupo de jovens diplomados que partiriam em breve para África: “Não se esqueçam, acima de tudo vocês são portugueses e são vocês os maiores embaixadores que o país pode enviar para o mundo”. Jamais deixarei de ser embaixador.

Mas há mais. Temos também uma padaria portuguesa. Confesso que ainda não tive oportunidade de a visitar, mas a contar pela descrição dos pastéis de nata, nada me faz lá ir. Dizem que os nossos pasteís viraram empadas de nata… Há também uma pequena loja portuguesa, afastada do centro da cidade, mas com uma oferta variada de azeites, chocolates, conservas e vinhos.

E para terminar, três breves notas: a imagem de Portugal continua em alta por estas bandas; a evolução de Portugal, após a adesão à então CEE, continua a ser um modelo para a Roménia; a língua portuguesa desperta cada vez mais interesse no país.

Um abraço,

VIVA PORTUGAL!

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