O LADO B DA NEVE

São 22h00 em Bucareste. Lá fora confirma-se o que as previsões meteorológicas vinham a anunciar há vários dias: a neve vai voltar. Mas se tudo parece bonito quando o véu branco se abate sobre a cidade, não haja dúvida que no dia seguinte começa o caos nas artérias da capital. Não que a neve bloqueie os carros de circular, antes a dificuldade em ter uma vida normal. Agora percebo porque há tanta gente a desejar que o Verão regresse. Afinal de contas, a beleza branca tem também um lado maléfico.

No início era o verbo: nevar! Que contente fiquei quando no longínquo Outubro de 2014 a neve chegou sem avisar. Kispo quente, luvas, cachecol e garruço na cabeça e lá fui eu para o parque. Tudo era lindo, tudo era belo. A Natureza auto-pintava-se de branco e, tal como nos filmes, a cidade acolhia o frio do Inverno e o branco da neve de braços abertos. Aliás, a alegria era tanta que frio e neve foi tema de vários posts:

“Este sábado, depois de almoço, olhei para a janela e estavam a cair bocadinhos de algodão branco. Durante a tarde, os bocadinhos deram lugar a farrapos cada vez maiores. São 19h20 e continua a nevar. As ruas começam a ficar brancas. Os carros ganham uma cobertura estilo chantilly deliciosa. A temperatura congela quem se atreve a sair de casa”, in Chegou sem avisar.

Em “Branco mais branco não há“:

E já fora de Bucareste:

“Deixar o barulho da grande cidade e rumar ao cimo das montanhas. Deixar para trás as buzinadelas, as caras tristes de quem vai todos os dias para o mesmo trabalho. Deixar a sensação claustrofóbica de viajar no metro de Bucareste. Deixar para trás o trânsito caótico e descobrir o som do nada”, in O som do nada.

Não será certamente o frio que me leva a voltar a falar da neve. Esse até conseguimos ultrapassar, mas a neve… ó, a neve, essa não perde tempo em mostrar o seu lado mais malévolo.

As autoridade locais têm à sua disposição meios para rapidamente desimpedirem as estradas e permitirem que o trânsito regresse, mais ou menos, ao normal. Menos razões de alegria têm os peões. Depois de horas a nevar ininterruptamente, os passeios vão ficar perigosos. Durante o dia, mesmo com temperaturas negativas, o passar dos carros transforma a neve em lama. A neve e a lama que estão nas ruas são enxotadas para os passeios. O branco celestial torna-se num horrível mar castanho. Há salpicos por todo o lado. O guarda-chuva só atrapalha, mas andar sem ele é desconfortável. A neve é fria e não derrete automaticamente ao tocar na cara. Atravessar passadeiras torna-se num verdadeiro acto de ginástica artística. Combina-se patinagem com saltos para piscinas olímpicas. Lindo de se ver… nada prazenteiro em ser o ginasta em acção. Onde quer que entremos há neve, água e lama no chão. No metro, nas lojas, nas entradas dos centros comerciais. Está em todo o lado. E à noite, quando as temperaturas atingem -10 ou -15 graus no termómetro, a neve que derreteu durante o dia congela tornando os passeios e as ruas ainda mais perigosas. No final de contas, aquela coisa maravilhosa com que todos nós sonhamos não passa de um pesadelo. Neve Lama por todo o lado!

Agora que a cidade parecia voltar ao ritmo habitual, depois das primeiras neves de 2016, eis que esta segunda-feira a “brincadeira” vai voltar de novo! Já percebo porque há tanta gente a desejar que o Verão regresse. Volta! Ele que volte rápido! Bucareste é muito mais bonita com 40 graus do que com -15!

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