AOS BRASÕES

Numa época de nacionalismos e revivalismos históricos na Europa, Klaus Iohannis, o Presidente romeno, acaba de promulgar uma lei que vem alterar o brasão do país. Interessante coincidência de datas: Dezembro de 2018 é o prazo dado para todas as instituições procederem à alteração do símbolo; Dezembro de 2018 marca, igualmente, o primeiro centenário da união do Reino da Roménia com a Transilvânia. O símbolo, além de meros retoques estéticos, adopta o design do brasão do período monárquico, antes da abdicação forçada de D. Miguel, em 1947.

As viagens diárias de metro dão-me o contacto necessário com a actualidade romena. Em poucos minutos leio as notícias do dia, em inglês, e há sempre uma ou outra que me intriga. Se há alguns dias fiquei preso aos donativos para a escultura de Brâncuși, desta vez retive o olhar no novo brasão romeno.

Klaus Iohannis, o Presidente da República, promulgou na semana passada o decreto que ordena a mudança do brasão da Roménia. Uma mudança ligeira, mas que alinha o símbolo nacional com o utilizado antes de 1947, quando o país era uma monarquia. Por mero acaso, ou como se de um passo premeditado se tratasse, a data limite para a mudança definitiva do símbolo em todas as instituições públicas, Dezembro de 2018, coincide com o primeiro centenário da unificação do Reino da Roménia com a Transilvânia. A união, resultado do desfecho da Primeira Grande Guerra, entrega a antiga região do Império Austro-Húngaro ao Reino da Roménia. E hoje, o Primeiro de Dezembro, feriado maior no país, marca a criação da Grande Roménia, um reino que colocou sob autoridade directa de Bucareste a maior extensão de terra alguma vez controlada pelos romenos.

O projecto de lei foi desenhado por deputados do PNL (Partido Nacional Liberal), do PSD e do ALDE (a Aliança dos Liberais e Democratas), tendo sido aprovado pela câmara baixa do Parlamento no passado dia 8 de Junho.

De acordo com a nova lei, o brasão é descrito como um “escudo de fundo azul, com uma águia dourada coroada, com a cabeça virada à direita, garras e bico vermelhos, asas abertas, empenhando uma cruz ortodoxa no seu bico, uma espada na garra direita e um ceptro na esquerda.”

Coat_of_arms_of_Romania.svg

A pequena grande mudança é a inserção da coroa real no escudo da Roménia. Sobre a águia mantêm-se as cinco representações das regiões históricas do país: Valáquia, Moldávia, Banat, Transilvânia e Dobruja.

Às vezes perco-me em pesquisas por temas estranhos. Brasões, heráldica, os símbolos e os seus significados. Intrigam-me estas mudanças. Talvez porque enquanto português nasci e irei, provavelmente, morrer sob os mesmos ícones nacionais: a esfera armilar, o escudo, a ‘Ditosa Pátria, Minha Amada’. Há mais de cem anos que assim é (e espero que assim continue). Mas uma rápida pesquisa mostra claramente o quão mudaram os nossos símbolos. Hoje, na Roménia, a história repete-se. Mudam-se os tempos, revivem-se cores e significados. Isto é mudança, isto é História em directo!


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2 opiniões sobre “AOS BRASÕES

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