A ÚLTIMA MORADA

Paredes meias com o Parque Tineretului, esconde-se, atrás de um pequeno muro decorado com repetidas cruzes brancas, o Bellu. Passaria despercebido não fosse este o mais importante cemitério de Bucareste. Se de Lisboa falássemos, este seria o irmão do Cemitério dos Prazeres. Entre heróis da literatura, da história, da música, das guerras e da política, uma visita a este cemitério é uma viagem à arquitectura funerária da Roménia, num passeio que reúne famosos e anónimos ao longo de três séculos. Agnus Dei, de Samuel Barber, acompanhou-me na visita.

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“Relativamente perto do centro da capital, na convergência das ruas Giurgiului e Olteniței, encontramos o maior e o mais importante dos cemitérios de Bucareste, o Bellu. Além do comum dos mortais, este local é também a última morada para muitos artistas, cientistas, poetas, escritores e políticos. Uma espécie de grande panteão ao ar livre, nascido no século XIX e que veio modernizar a tradição de enterrar os entes queridos à volta das igrejas e capelas do país. Esta foi, à luz do seu tempo, uma abordagem revolucionária à criação de cemitérios, mas, em simultâneo, resolveu os problemas de salubridade pública que os tradicionais locais para enterrar os falecidos acarretavam para uma cidade em crescimento acelerado”, in Um Exemplo de Paz.

A tarde ensolarada deste início de Novembro, quando a Natureza nos pauta com uma palete de cores de fogo, foi a desculpa para uma saltada ao Bellu. Apesar de passar à sua porta todos os dias, a visita estava aqui na minha wishlist há muito tempo. Do lado de fora, o agitado trânsito não deixa perceber o silêncio que faz do outro lado daquele muro longo e despido de grandes beldades. Cruzado o portão principal entramos na última morada de milhares de romenos (e não só). Uma amálgama de história, de jazigos, de cruzes, de esculturas e simbologias – a fúnebre, a morte e a imortalidade, as profissões, etc – emoldurada por grandes árvores que agora, com o Inverno a caminho, vão perdendo as frondosas folhagens que trazem sombra e paz a este jardim de almas.

Também aqui, num canto do cemitério, encontramos um pequeno memorial aos soldados franceses (e de origem argelina – a Argélia era então uma colónia francesa) mortos em território romeno durante a Primeira Grande Guerra.

Numa próxima oportunidade visitaremos o Bellu Católico e, do outro lado da avenida, o cemitério Judeu.

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