ROMENOS DO MUNDO, UNI-VOS!

Roubo (e adapto) a Karl Marx e Friedrich Engels o slogan de hoje. Um post curto, apenas para falar de História e política. Hoje, 24 de Janeiro, o dia da União. Outra vez da União? Mas isso não é em Dezembro? Sim e não. Vamos descobrir.

Dois mil e dezassete começou com dois novos feriados no calendário romeno. O Primeiro de Junho, Dia da Criança, e o 24 de Janeiro, Dia da União. Muitos estarão agora a interrogar-se se a Festa da União não é, afinal, celebrada no Primeiro de Dezembro. A resposta é sim e não! A União de 24 de Janeiro de 1859 é diferente da Grande União de 1 de Dezembro de 1918. Se nesta última data celebramos a criação da Grande Roménia – a maior extensão de territórios alguma vez sob domínio romeno -, através da união das Províncias da Moldávia, Valáquia, Transilvânia, Bucovina e do Banat, 1859 é a data central na história da formação da Roménia enquanto Estado moderno.

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A União dos Principados da Moldávia e da Valáquia, a raiz do futuro Reino da Roménia, foi o nome dado à união destas duas provínicas sob o domínio de Alexandru Ioan Cuza. Um pedaço de história que opôs os líderes dos impérios Otomano, Russo, Austro-Húngaro, assim como forças francesas, prussianas e inglesas, pelo controlo deste canto do Sudeste europeu. Os arranjos políticos impediram que as duas províncias se declarassem independentes de Constantinopla, mas não previram que o mesmo homem pudesse assumir o poder nas duas capitais, Bucareste e Iași. Cuza foi eleito Domnitor das duas províncias (1859) e cedo promoveu a criação de um Estado unificado (1862), recebendo para tal o apoio político de potências estrangeiras. Um golpe de Estado, logo em 1864, fragilizou a sua acção, mas é apenas dois anos mais tarde, em 1866, que Cuza se vê obrigado a abdicar do cargo. Para o substituir, chega da Alemanha Karl de Hohenzollern-Sigmaringen, que, após a independência (1877/1878), se tornaria o primeiríssimo rei dos romenos, Carol I.

Alexandru Ian Cuza
Alexandru Ioan Cuza

Alexandru Ioan Cuza, figura cimeira da história da Roménia, foi o cimento que uniu os romenos e que criou as bases do Estado moderno do país. Graças à sua determinação e bravura na luta contra Constantinopla, actual Istambul, a Roménia deve-lhe, com certeza, parte da sua independência!

Hoje, como se de uma questão existencial se tratasse, o rio Prut (a fronteira entre a Roménia moderna e a República da Moldova) continua a ser uma cicatriz muito sensível nas relações entre Bucareste e Chișinău. Afinal de contas, aquilo que um punhado de homens do século XIX uniu, Moscovo, no rescaldo da Segunda Grande Guerra, fez tábua rasa. Hoje, das duas margens ouvem-se vozes de união e de separação; de romanização e russificação; de ocidente e oriente. A sociedade, apática, assiste às manobras políticas. Ironia ou não, mensagem subliminar ou apenas, como muitos querem crer, um presente, numa recente visita à Federação Russa, Vladimir Putin ofereceu ao seu homólogo moldavo, Igor Dodon, uma mapa do século XVIII do Principado da Moldávia. Não seria nada de especial ou não fosse este mapa incluir vários territórios pertencentes à actual Roménia. O mapa que Cuza usou quando uniu os Principados no que viria a ser o futuro Reino da Roménia.

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