HÁ FOGO À SOLTA NO PALÁCIO DA VITÓRIA

Se em Portugal o fogo tem destruído vastas áreas florestais, também aqui na Roménia há fogo a consumir de forma muito rápida o Governo do país. Mas se da “Ocidental praia Lusitana” chegam informações de floresta, eucaliptos e, infelizmente, vidas humanas perdidas, de Bucareste chegam-nos notícias de uma luta dentro do mesmo partido, colocando em causa a continuidade do Governo de Sorin Grindeanu. O Parlamento aprovou uma moção de censura que coloca os sociais-democratas contra os prórpios sociais-democratas. Arde em lume brando muito quente o Governo no Palácio da Vitória!

Estamos na Piața Victoriei, Norte de Bucareste. Num dos cantos da praça encontramos o Palácio da Vitória, sede do Governo romeno. Desde as grandes manifestações de Janeiro e Fevereiro que esta grande praça (diria mais um grande espaço subaproveitado) acolhe, diariamente, um punhado de cidadãos que aqui vêm demontrar o seu desagrado com as políticas do Governo de Sorin Grindeanu.

Sorin Grindeanu
Palácio da Vitória

Mas este governo desde cedo esteve envolto em polémica. O Partidul Social Democrat (PSD), de centro-esquerda, subiu ao poder após as eleições de Dezembro de 2016. Substituiu o Partidul Național Liberal (PDL) – conservadores com Dacian Cioloș como Primeiro-Ministro – que, por sua vez, substitui, de novo, o PSD, após a malfadada noite de 31 de Outubro quando dezenas de pessoas morreram encurraladas dentro de uma sala de espectáculos em chamas.

Apesar do PSD ter ganho as eleições de Dezembro passado, o Presidente Klaus Iohannis foi perentório quando afirmou publicamente que vetaria qualquer nome proposto para Primeiro-Ministro que estivesse envolvido em suspeitas de corrupção. O líder dos sociais-democratas, Liviu Dragnea, foi assim excluído de se candidatar ao cargo. Estranhamente, mesmo tendo sido acusado oficialmente de abuso de poder e de ter sido condenado a uma pena de prisão suspensa de dois anos, é, actualmente, o Presidente da Câmara dos Deputados (a câmara baixa) do Parlamento nacional. O partido viria a nomear um nome alternativo para o cargo de Chefe-de-Governo, Sevil Shhaideh, entretanto também recusado por Iohannis.

Sorin Grindeanu
Sorin Grindeanu

Como terceira via, surge então o nome de Sorin Grindeanu. O início do seu mandato ficará para a história mundial como sendo o primeiro líder de um Estado democratico europeu a propor a legalização da pequena corrupção na Administração Pública. A Europa bateu o pé; os romenos sairam para a rua em massa, naquelas que foram as maiores manifestações públicas no país desde 1989, a data da queda do regime de Nicolae Ceaușescu. O bom senso prevaleceu e o decreto-lei foi posteriormente revogado.

Grindeanu foi navegando em águas agitadas desde então. Contudo, a maioria parlamentar mantinha o Governo à tona. Agora, apenas meio anos após a sua eleição, num acto de verdadeira telenovela mexicana, amigos tornam-se inimigos e, a pretexto da não execução das medidas populistas apresentandas por Dragnea durante a campanhã eleitoral, o PSD leva ao Parlamento uma moção de censura contra o prórpio PSD!

Photo source_Inquire PHOTOS _Octav Ganea
Călin Popescu Tăriceanu (ALDE), Liviu Dragnea (PSD) e Sorin Grindeanu (PSD)

A votação decorreu hoje, 21 de Junho. Dragnea, líder da câmara baixa e do próprio PSD, obteve 241 votos (somando os votos do PSD aos do ALDE (Alianța Liberalilor și Democraților)), forçando a queda do seu próprio Primeiro-Ministro.

Grindeanu foi sempre visto pelos meios de comunicação social como uma marionete nas mãos de Dragnea, tendo sido este o momento da revolta entre mestre e o aluno.

Como consequência directa, o país entra em terrenos de instabilidade política governativa. Sem Primeiro-Ministro, resta-nos agora esperar pela resposta do Presidente da República. Ao mesmo tempo, o Parlamento estará em alvorosa, pois a aliança entre PSD e ALDE encontra-se desfeita e novas negociações serão necessárias para assegurar a maioria parlamentar que sustente um Governo. Como alternativa, caso o PSD não consiga obter apoio para eleger um novo nome para Chefe-de-Governo, Iohannis poderá convidar o PNL, segundos nas eleições de Dezembro, a formar Governo. Contudo, para o conseguirem, terão de negociar uma maioria no Parlamento. Em último recurso, o Presidente poderá convocar novas eleições para breve.

Apesar da instabilidade política, a economia romena brilha na Europa: Bucareste apresentou um crescimento económico de 5.6% no primeiro trimistre de 2017. No canto oposto, a Roménia continua a figurar no fim da tabela europeia dos países menos corruptos.

Avizinha-se um Verão bem quente no cenário político doméstico.

 

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