Mais uma moedinha, mais uma voltinha

Começam a chegar ao Velho Continente as ondas de choque dos protestos em Bucareste (e um pouco por toda a Roménia). O motivo? Corrupção e mexidas no sistema fiscal. Não que a população se manifeste contra a corrupção em si, antes pela institucionalização da mesma. Para quem segue o blog, esta é a segunda vez, em menos de um ano, que o mesmo Governo tenta aprovar decretos-lei que tornam o país no único Estado da União Europeia onde a (pequena) corrupção, em vez de combatida, seria acarinhada pela máquina pública! Há, também, outra razão para a saída à rua: uma “Revolução Fiscal” (já aprovada) que implica, na prática, uma descida do salário de todos os funcionários (públicos e privados). Assim, a partir de 1 de Janeiro de 2018, os funcionários serão chamados a pagar os impostos sobre todo o rendimento que usufruem (ficando a entidade empregadora com a responsabilidade de descontar apenas 2,5%), equivalendo, em média, a um corte de 20% no salário.

Ontem, Domingo, a Digi24 noticiava a marcha de mais de 20 mil pessoas entre a Piața Victoriei, junto à sede do Governo, e a Piața Constituției, onde se localizam as câmaras alta e baixa do Parlamento romeno.

Protest_against_corruption_-_Bucharest_2017_-_Piata_Universitatii_-_5
Mihai Petre

Noticía a Euronews:

Cerca de 45 mil pessoas voltaram a manifestar-se na ruas de Bucareste, a capital da Roménia contra a corrupção e a intenção dos políticos no poder de mudarem a legislação sobre o combate à corrupção.

Entre os manifestantes estava o antigo primeiro-ministro, Dacian Cioloş, agora presidente da ONG “Plataforma 100”: “É essencial para a Roménia que a justiça possa fazer o seu trabalho e que não se utilize o poder político através do parlamento e do governo para enfraquecer a justiça, apenas com o objetivo de sevir os interesses de alguns líderes políticos que têm problemas com a justiça”, afirma.

Os romenos não baixam os braços. Desde o início do ano as manifestações repetem-se:

“Estamos aqui para lutar pela nossa justiça, pelas nossas leis e pela nossa dignidade e liberdade”, afirma Anka, uma manifestante.

Euronews: Quantas vezes já sairam à rua este ano?

“Muitas. Umas dez ou vinte nos últimos dez meses”, refere.

O clima de tensão começou em fevereiro quando o governo tentou mudar a legislação sobre a corrupção através de decreto.

O jornalista e blogger, Vlad Petreanu, diz que se trata de um exemplo muito clássico de conflito entre uma elite muito conservadora que tenta preservar o seu acesso aos recursos sem ser sancionada e uma parte da sociedade bastante progressiva”.

As manifestações têm decorrido por toda a Roménia. A tentativa do governo social-democrata encontrou a resistência não só dos romenos, mas também dos magistrados e das instituições europeias. As propostas de lei estão agora a ser debatidas no parlamento.

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